sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Paralisante intravenoso

Já não escrevo há muito tempo.

Senti-me bloqueada.
Algo me faltava.

Aí eu percebi. Faltava me escrever...

Confessar em pequenos versos.
O que me paralisa, o que me faz tremer.

- Mas quais são os demónios?
- Nem eu os conheço bem. Nem eu os sei bem descrever...

Sinto-me bloqueada...
Desconcentrada,
Maltratada...
Maltratada por mim própria...
Mas porquê?
Ainda agora começou...
Mas o quê?
O quê que me falta?
Falta objetivo?

- O que não te falta a ti é objetivo!!
Tu sabes o que queres fazer...

-Então o que falta?
 Estou cansada!

- Cansada de quê?
- De perder!
- De perder? De perder o quê?
- Dos desamores... De perder o que gosto... quem gosto...
- E o que ganhaste? Lembras-te?
- Lembro sim... Mas não estou bem. Estou cansada...
Não quero mais...
- Não queres mais o quê?
- Isto... O que quer que seja que me deixa cansada...
Não quero mais...
Estou... Sinto-me assombrada...
- Mas porquê? Pelo quê? Por quem?
- Não sei... Não sei. Não sei!
É este peso... Algo me julga...
Talvez alguém...

Talvez eu própria...

ah... (suspiro)

Sou eu... Sou eu. Sou eu!

Sou eu própria que me paraliso...

Tenho que quebrar correntes,
Tenho que ter a energia,
Fazer de formas diferentes,
... mas às vezes não tenho...
                          não faço...
e julgam-me os outros??

Não...

Julgo-me eu própria...

Estou cansada.

Era o que me faltava...

Agora percebi. Faltava-me escrever.
Confessar-me em pequenos versos...

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