terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Viver é fazer mémorias



Sabes quando as pessoas tantas vezes dizem "Nós somos mesmo feitos de caquinha...", normalmente referente a situações de doença ou morte totalmente inesperada e precoce. Eu já o ouvi muitas vezes... Aliás ecoa muitas vezes na minha cabeça... E por isso aprendi a deixar de pensar demasiado. A fazer. A ir. A viver... 

O caso típico de:  

- Vamos?
- Horas e onde! 

Mas percebo... Muitas vezes as pessoas dizem-no, mas não o sentem... Lamentam-se, mas, na verdade, não mudam a sua atitude perante as situações da vida... 
"Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje" é outra, muito recorrente, mas curiosamente, relativa a trabalho... A visita àquele familiar? - Ah vou quando estiver de férias. (...)  - Ah, vou num fim de semana prolongado, preciso de fazer os trabalhos atrasados aqui em casa estas férias... (...) A pessoa morre. Tu pensas nas vezes que não foste lá... Nas gargalhadas que podias ter partilhado com ela... Nas conversas e discussões sobre tudo... Arrependes-te... Culpas-te... 
Contudo, passado um mês, tudo passa e esqueceste-te do arrependimento e não fazes diferente com os que ainda podias fazer diferença... Quanta hipocrisia numa vida só, meus caros... Sejam leais, ao menos, a vocês... Ok. Não vão hoje, mas, POR FAVOR, vão amanhã... Vão! E, pelo menos, mudem de atitude após perceberem o que fizerem de errado... Dizer, simplesmente, não vai fazer diferença... Por favor, permitam-se viver... E, não me interpretem mal, viver não é trabalho. Não, não é o dinheiro que gastas, ou que não gastas... Viver é partilhar amor... São as gargalhadas, são as conversas, as discussões de tópicos aleatórios, são todas as memórias... Vá, vão lá viver... Vão fazer algumas memórias... E, NÃO, a tua vida não acabou porque começaste a trabalhar, ou porque já tens 30 anos, ou porque já tens filhos, ou porque tens muito que fazer...... Vivam....! Por favor... permitam-se ao agora!! Sabes lá se estás cá amanhã... Então, façamos memórias enquanto cá estamos...!!!  

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Paralisante intravenoso

Já não escrevo há muito tempo.

Senti-me bloqueada.
Algo me faltava.

Aí eu percebi. Faltava me escrever...

Confessar em pequenos versos.
O que me paralisa, o que me faz tremer.

- Mas quais são os demónios?
- Nem eu os conheço bem. Nem eu os sei bem descrever...

Sinto-me bloqueada...
Desconcentrada,
Maltratada...
Maltratada por mim própria...
Mas porquê?
Ainda agora começou...
Mas o quê?
O quê que me falta?
Falta objetivo?

- O que não te falta a ti é objetivo!!
Tu sabes o que queres fazer...

-Então o que falta?
 Estou cansada!

- Cansada de quê?
- De perder!
- De perder? De perder o quê?
- Dos desamores... De perder o que gosto... quem gosto...
- E o que ganhaste? Lembras-te?
- Lembro sim... Mas não estou bem. Estou cansada...
Não quero mais...
- Não queres mais o quê?
- Isto... O que quer que seja que me deixa cansada...
Não quero mais...
Estou... Sinto-me assombrada...
- Mas porquê? Pelo quê? Por quem?
- Não sei... Não sei. Não sei!
É este peso... Algo me julga...
Talvez alguém...

Talvez eu própria...

ah... (suspiro)

Sou eu... Sou eu. Sou eu!

Sou eu própria que me paraliso...

Tenho que quebrar correntes,
Tenho que ter a energia,
Fazer de formas diferentes,
... mas às vezes não tenho...
                          não faço...
e julgam-me os outros??

Não...

Julgo-me eu própria...

Estou cansada.

Era o que me faltava...

Agora percebi. Faltava-me escrever.
Confessar-me em pequenos versos...