sábado, 24 de dezembro de 2016

Espírito Natalício ...

Sobre o Natal:
Foto de José Luís Peixoto.

É, acho que, de facto, de alguma forma, seremos sempre uns tantos mais... Se calhar, somos cada um de nós, uns quantos mais pratos diferentes à mesa, os que trazemos connosco... ou que levamos. Uns quanto mais pratos, só que, vazios...
Somos nesta época particularmente nostálgicos, particularmente saudosos, particularmente tristes (Devo eu dizer: miseráveis?). Escolhemos esta época para agradar, para ser solidário, para ajudar o próximo (Devo eu dizer: o outro?)... Porque nos sentimos, particularmente, vazios. O resto do ano tudo corre, com a correria normal, não se lembram do frio, da fome, da guerra, da pobreza e da tristeza (muito mais geral do que se faz crer...). Mas, de alguma forma, nesta época o que deixamos por fazer (por fazer mesmo! por fazer ao outro...) aflige-nos, toca-nos... A nossa cabeça começa a funcionar, parece que tudo ecoa, que tudo faz ricochete... Parece que tudo o que deixámos de fazer nos pesa...!
(risos)
Coitados! (risos) Coitados de nós!! Sempre tão atarefados... Oh nossa... Mas no Natal, não.. No Natal, lá te lembras que existem sem abrigo, que a tua vizinha sofre violência, que o teu vizinho passa fome, e aquele velhote que vês no banco de jardim de manhã cedo, sempre sozinho... - O que terá ele? ...


De dia 20 a 26 ainda dá para fazer muita coisa...
Mas depois tudo passa... Começa um ano novo, uma vida nova!!
Out with old. In with the new... (risos)
Hipócritas!!
No Natal, na verdade, quem convidaste tu para a tua mesa? A tua mesa cheia de pratos vazios...
Hipócritas!!
Quantas vezes vais tu para casa a pensar na história do velhote sozinho no banco de jardim de manhã cedo? Tu sabes que ele está lá!! Tu sabes que ele está lá, todas as manhãs!! Mas quantas vezes olhas para ele? No Natal? Aliás, quantas vezes falaste com ele? (risos)


Hipócritas!!

Mas vá continua... Não te esqueças de nenhuma prenda que tens para oferecer.. e que seja bem cara, para transparecer o quanto amor tens por essa pessoa...
Assim como assim, também está quase a terminar a época... Não te massacres muito...Não tarda e estamos todos rejuvenescidos...



Quase todos... porque eu não me consigo esquecer o resto do ano...
(Hipócritas!!)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Escolhi ser como tu...


Eu podia ser o que quisesse, mas escolhi ser como tu...

Na verdade, por muito tempo, escolhi não ser como tu.
Não te olhava como alguém que eu quisesse ser. Mas, era tão miúda, como poderia perceber...?
A grande força que tinhas... e aquilo que interiormente te afetava... A vontade de ser algo melhor, que tão cedo te foi tirada...
Aquilo que te foi roubado à partida não me mostrou a tua fraqueza! Mas o que te roubou a vida mostrou-me que eras realeza! Rainha sempre foste... e serás.
Foi tarde que o percebi. Mas tudo o que eu alcançar, alguma vez, foi graças a ti que o consegui...
Pela tua força de vontade e imponência. Por nunca cederes a doença...

Como poderia não escolher ser como tu? Se tu é tudo aquilo que eu sou...

Na verdade, sou um pouco mais, porque aprendi contigo e com os demais...
Fizeste de ti um exemplo, escondeste sempre o teu tormento...
Só grande já, eu percebi... Como é difícil... O sofrimento...
A vida foi madrasta contigo e ainda assim, eu sei que era eu que não querias que tivesse sofrido...
Me desculpa minha mãe... por todas as vezes que errei... que faltou a paciência... do modo como te falei...
Obrigada por tudo minha mãe... sei que fizeste o melhor que podias e que mesmo não parecendo era só o meu bem que vias...
Obrigada pelo exemplo de força e pelo tempo dedicado, por me ensinares a lutar sem ter que percorrer o caminho mais atribulado...

Na verdade, como poderia não ter escolhido ser como tu??
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O sentir...



Já reparaste como as lágrimas de tristeza sabem diferente das lágrimas de alegria? Como o batimento cardíaco acelerado de tristeza te lembra a morte, enquanto o de alegria te traz vida? Como a respiração ofegante de medo te paralisa, enquanto a de entusiasmo te impulsiona?


Ainda assim desrespeitam, descredibilizam e desvalorizam o estado emocional... 

O sentir modifica o entendimento das mesmas respostas fisiológicas e ainda assim o sentir é algo que se considera transmitir fraqueza...


Não se enganem... 

Fraco é quem não sente!